Resumo
O objetivo deste trabalho é contar como um serviço substitutivo assumiu a responsabilidade radical de ser ordenador do cuidado em situações de atenção à crise, garantindo o cuidado em liberdade, prescindido do cuidado hospitalar e assumindo sua responsabilidade ética e sanitária diante do território. Nosso trabalho destaca a importância da organização dos processos de trabalho para que seja possível responder à crise em saúde mental em tempo oportuno. Assim criamos um arranjo institucional denominado “equipe de crise” que atua junto ao plantão do serviço promovendo a intensificação no cuidado e compondo com a equipe nas respostas em tempo oportuno a situações de crise.
Criou-se um Fluxograma de Resposta à Crise, que orienta os trabalhadores na tomada de decisões, considerando a gravidade do quadro e a rede de suporte do usuário. Além disso, são aplicados Critérios de Crise que permitem uma avaliação mais ampla das situações, focando não apenas nos sintomas psiquiátricos, mas também nas relações sociais e familiares do indivíduo. Como resposta, busca-se ampliar recursos de enfrentamento a situação de crise a partir de uma abordagem dialógica que garanta o lugar de protagonismo do usuário e da rede de apoio.
Assumimos a radicalidade da expressão “a crise como uma oportunidade” a partir da intensificação do cuidado em liberdade e prescindindo da internação como resposta a priori. Assim, a equipe de crise se torna fundamental para a estrutura institucional do CAPS, assegurando a longitudinalidade do cuidado.