Ergonomia e Usabilidade: os elementos constituintes da avaliação

fevereiro 24, 2020 06:31

Neste post apresentamos os resultados da pesquisa bibliográfica que permitiu a criação de uma tabela de recorrência, tendo como objetivo destacar os principais critérios ergonômicos e responder a segunda pergunta levantada para a construção da Matriz Analítica: Quais são os elementos importantes que constituem uma avaliação de material do ponto de vista da Ergonomia e a Usabilidade? 

A ergonomia é uma disciplina científica de abordagem holística que considera fatores físicos, cognitivos, sociais, organizacionais e ambientais das interações entre os homens e um dado sistema. Atua em três domínios: físico (relacionada à atividade física e o movimento humano), organizacional (observada pela otimização dos sistemas sócio-técnicos, estruturas e processos) e cognitivo (acerca dos processos mentais que afetam as interações entre os seres humanos e os sistemas).

 Subdominios da ergonomia

 

No âmbito cognitivo, um dos subdomínios que interessa mencionar é o da ergonomia de software, cuja eficácia depende tanto da qualidade funcional quanto da qualidade estrutural. Neste sentido, as perspectivas de qualidade podem estar associadas, segundo a norma ISO/IEC 9126, como qualidade de uso (percebida da perspectiva do usuário em contexto de utilização do software) e a qualidade externa e interna (cujas características se dão, respectivamente, do ponto de vista externo ou interno do uso do sistema). É desde esta perspectiva que se pode observar a usabilidade, entendida pela Norma Internacional ISO 9241-11 como “o grau ao qual um produto pode ser usado por usuários específicos para atingir um objetivo específico com eficiência e satisfação em um contexto específico de uso”.

 

Ilustração da norma ISO/IEC 9126

O design de usabilidade, tem, portanto, enorme importância como parte do processo de projeto de sistema. Segundo Shackel1, os objetivos da usabilidade podem ser observados segundo seis critérios: Eficácia (efetividade do uso); Eficiência (eficiência do uso); Recordável (facilidade de lembrar a forma de utilização); Aprendizagem (se é fácil de aprender): Utilidade (ter uma utilidade); Segurança: seguro de usar.

Tendo como foco estes critérios e as diretrizes do estudo, dez autores se destacaram na revisão bibliográfica com contributos relevantes, relacionadas ao alcance das metas da usabilidade: Smith e Mosier2, Deborah Mayhew3, Hix e Hartson4, Nielsen5, Bastien e Scapin6, Schneiderman7, Constantine e Lockwood8, Preece, Rogers e Sharp9, Welie10, Ergolist11.

Linha do tempo: principais contributos teóricos para melhoria da usabilidade

 

Baseada nos critérios da norma ISO, assim como os critérios encontrados nas dez referências, o resultado da análise da bibliografia deu origem a uma tabela de recorrência, o que permitiu visualizar os critérios que podem ser considerados mais importantes. Entre os parâmetros com mais da metade de recorrência, foram encontrados os seguintes elementos: coerência, carga de memória, feedback, gestão de erros, controle do usuário e estética.

 

Linha do tempo: principais contributos teóricos para melhoria da usabilidade

 

No texto anterior foram apresentadas as discussões em torno da seguinte pergunta: Quais são as contribuições existentes na literatura sobre a avaliação ergonômica-pedagógica relacionados à matéria de Educação a Distância? No terceiro post do assunto “Construção Matriz Analítica”, a pergunta a ser debatida será: Quais são os elementos importantes que constituem uma avaliação de material do ponto de vista da Educação a Distância e o Design Instrucional?

 

Referências

  1. Shackel, B. (1991). Usability- context framework design and evaluation. Dans B. Shackel, & S. Richardson, Human factors for informatics usability (pp. 21-38). Cambridge: Cambridge University Press.
  2. Smith, S., & Mosier, J. (1986). Guidelines for designing user interface software. Massachusetts: Mitre corporation.
  3. Mayhew, D. (1992). Principles and Guidelines in Software User Interface Design. New Jersey: Printice-Hall.
  4. Hix, D., & Hartson, H. (1993). Developing User Interfaces: Ensuring usability through Product and Process. New York: John Wiley and Sons.
  5. Nielsen, J. (1993). Usability engineering. Boston: AP Professional.
  6. Bastien, J., & Scapin, D. (1997). Ergonomic criteria for evaluating the ergonomic quality of interactive systems. Behaviour and Information Technology , 16 (4), 220-231.
  7. Schneiderman, B. (1998). Designing the User Interface: Strategies for Effective Human-Computer Interaction. Menlo Park: Addison Wesley
  8. Constantine, L., & Lockwood, L. (1999). Software for Use: A Practical Guide to the Models and Methods of Usage-Centered Design. Boston: Addison-Wesley.
  9. Preece, J., Rogers, Y., & Sharp, H. (2002). Interaction Design: Beyond Human Computer Interaction. John Wiley & sons.
  10. Welie, M. (2003). Amsterdam Collection of Patterns in User Interface Design.
  11. ErgoList, acessivel aqui:    http://www.labiutil.inf.ufsc.br/ergolist/index.html

“Este é um texto de divulgação científica que adota uma estética jornalística. Foi editado e produzido por Juliana Vargas com o objetivo de divulgar uma pesquisa acadêmica realizada por Stéphanie Marie Dominique Bertrand Thomas Cor Coomans de Brachene, no âmbito do Projeto Avaliação e prospecção de tecnologias web para a Educação Permanente em Saúde.”


Mar Aberto fevereiro 24, 2020 06:31




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